domingo, 11 de janeiro de 2009

Real Beleza


Flores são amores!
Possuem odores e cores,
pois são louvores.
A flor é amor
A flor é beleza
É fruto da natureza
que embeleza a vida
com ar de sua realeza.

Pintura de Débora Becker- Acrílica sobre tela.
Título: Tulipas sorridentes



Débora Becker®

a certeza da dúvida

É e não é , eis o que é?
É, mas não é o que quer.
Procura e não acha.
Acha e procura.
Tem mas não tem.
Sabe e não sabe.
Acha que sabe e no fundo
sabe que sabe o que é.
Não é?!

Débora Becker®

sábado, 10 de janeiro de 2009

Meus Hai kais

Mi-au, Mi-au... Um gachorro mitindo.

Mosquito é uma mosca reencarnada, fofoqueira e com reumatismo.

O amor é o sorriso do coração.

O pássaro que sofre de insônia pratica técnica vocal a luz do luar.

O sapo veste a farda e segue ao campo de guerra... Escondeu-se em uma oca de terra e ali espera o que ainda é mistério...

Será que os mosquitos não se dão conta que vivem a falar dos mesmos assuntos nos momentos mais inconvenientes?!

A borboleta é uma lagartinha que ganhou asas ao virar mocinha.

Gambá é um rato que foi para a cidade grande, ouviu grunge e virou punk.

O vento é um vovozinho maroto. Volta e meia se pendura em uma árvore para tirar as folhas...

Senhor Colibri é um namorador.. Está sempre a beijar a bela Dona Flor!

A neblina é uma fantasma obesa que vem a terra para brincar de Maria fumaça.

A neblina é tão pálida...
Parece tão doentinha.
Coitadinha! Se perdeu em uma nuvem de farinha.

A formiga é um trem em miniatura que carrega mantimentos para toda a sua vila.

A saudade é um baú bem grande que possui retratos de um passado-presente.

A noite é uma dama surpreendente, que ora veste um vestido cintilante, ora um pretinho básico.

A chuva é o cântico das nuvens tristes que perderam seus amores para estrelas boêmias.


Débora Becker ®

O ponteiro da contemplação...

Ao acompanhar a trajetória horária dos ponteiros, que de forma exímia e compassada nos relata a volatilidade de um tempo que não tem olhos para a essência das coisas, é que se percebe o quão eqüidistante está a realidade palpável que nos assombra e solicita constantemente de minutos de pausa. O que há acerca da natureza que nos envolve é uma sociedade massificadora e intolerante aos pequenos detalhes, detalhes esses que fazem de nós, humanos, seres dotados de dons que possibilitam o despertar de uma consciência ávida pelo saber; uma vida suprida por uma leveza concupiscível que transcende a materialidade de nossas tão dispensáveis carcaças e que, torna-nos a cada dia mais dispostos e chamados a refletir e acima de tudo, a contemplar. Digo contemplação como a curiosidade incomensurável da alma, considerando de modo admirável a beleza que envolve cada parte do Universo, uma busca incessante que leva ao conhecer.
A falta da introspecção e do encantamento com a natureza à nossa volta e a carência do desejo de querer a felicidade é o que impele muitos a atropelar o tempo para então poder suprir suas vontades inóspitas. Os valores humanos foram descartados, embalados na hipocrisia de alguns e substituídos por interesses mesquinhos. Eis porque chamo a sabedoria de “ferramenta” transformadora, pois aquele que conhece a verdade é impulsionado ao agir bem e após experimentar o fascínio do saber permanece aprimorando-o, diariamente. Todavia, antes de tomar a sabedoria como princípio para alcançar o bem supremo é preciso inverter valores e buscar no interior de si mesmo a essência da vida; a curiosidade enaltece o espírito e é disso que necessitamos para encontrar a luminosidade que faz de cada um de nós tão importantes para o bem estar do outro. É inevitável desvendar as entranhas da nossa complexa psique para depararmos com a sapiência e assim, conhecendo-nos na verdade seremos fraternos para com os outros, buscando em cada gesto benevolente o estalo de um olhar para a vida. O fazer o bem implica no receber tal bem, e isso é que engrandece a vida dos homens. Não há como estabelecer uma sociedade sábia e justa sem contar com uma educação que preze à vida e aos valores que enriquecem cada cidadão.
A educação inicia-se na contemplação, onde cada um, com o saber inocente de sua criança interior apropria-se da realidade vivida para sonhar, incorporando como parte de si a realidade que observa com admiração e zelo. Esta realidade inteligível é que rege a conduta transformadora do ser guiado pela Filosofia, onde cada “pensador-educador” se insere numa realidade distinta, porém deslumbrante, descobrindo neste mundo contemplativo o lado metafísico de tudo o que o envolve e que representa a fortaleza psíquica e imanente de todos nós.
O caráter é a essência do homem e deve ser esculpido com amor desde o primeiro sopro de consciência, sendo que cada cidadão deve ser conduzido por uma educação baseada em uma conduta do bem e precisa ser diariamente estimulado a pensar, a refletir e a valorizar a plenitude da vida. Uma educação guiada de maneira explicitamente filosófica carrega a sociedade com prudência, valor, moderação e discernimento, formando assim uma sociedade justa e feliz onde todos os cidadãos buscam saciar diariamente a inquietude de suas almas, encontrando no conhecimento e na troca de valores a base intelectual e espiritual para rumar à felicidade. Logo, um indivíduo bem formado moralmente e espiritualmente será capaz de lutar com ousadia e perseverança pelo êxito de uma sociedade que pode e deve ser melhor a cada dia, pois o futuro das próximas gerações está sob a responsabilidade de nossa atitude contemplativa diante daquilo que hoje nos permeia. Eis aqui a generosidade da contemplação.

Débora Becker®