Ao acompanhar a trajetória horária dos ponteiros, que de forma exímia e compassada nos relata a volatilidade de um tempo que não tem olhos para a essência das coisas, é que se percebe o quão eqüidistante está a realidade palpável que nos assombra e solicita constantemente de minutos de pausa. O que há acerca da natureza que nos envolve é uma sociedade massificadora e intolerante aos pequenos detalhes, detalhes esses que fazem de nós, humanos, seres dotados de dons que possibilitam o despertar de uma consciência ávida pelo saber; uma vida suprida por uma leveza concupiscível que transcende a materialidade de nossas tão dispensáveis carcaças e que, torna-nos a cada dia mais dispostos e chamados a refletir e acima de tudo, a contemplar. Digo contemplação como a curiosidade incomensurável da alma, considerando de modo admirável a beleza que envolve cada parte do Universo, uma busca incessante que leva ao conhecer.
A falta da introspecção e do encantamento com a natureza à nossa volta e a carência do desejo de querer a felicidade é o que impele muitos a atropelar o tempo para então poder suprir suas vontades inóspitas. Os valores humanos foram descartados, embalados na hipocrisia de alguns e substituídos por interesses mesquinhos. Eis porque chamo a sabedoria de “ferramenta” transformadora, pois aquele que conhece a verdade é impulsionado ao agir bem e após experimentar o fascínio do saber permanece aprimorando-o, diariamente. Todavia, antes de tomar a sabedoria como princípio para alcançar o bem supremo é preciso inverter valores e buscar no interior de si mesmo a essência da vida; a curiosidade enaltece o espírito e é disso que necessitamos para encontrar a luminosidade que faz de cada um de nós tão importantes para o bem estar do outro. É inevitável desvendar as entranhas da nossa complexa psique para depararmos com a sapiência e assim, conhecendo-nos na verdade seremos fraternos para com os outros, buscando em cada gesto benevolente o estalo de um olhar para a vida. O fazer o bem implica no receber tal bem, e isso é que engrandece a vida dos homens. Não há como estabelecer uma sociedade sábia e justa sem contar com uma educação que preze à vida e aos valores que enriquecem cada cidadão.
A educação inicia-se na contemplação, onde cada um, com o saber inocente de sua criança interior apropria-se da realidade vivida para sonhar, incorporando como parte de si a realidade que observa com admiração e zelo. Esta realidade inteligível é que rege a conduta transformadora do ser guiado pela Filosofia, onde cada “pensador-educador” se insere numa realidade distinta, porém deslumbrante, descobrindo neste mundo contemplativo o lado metafísico de tudo o que o envolve e que representa a fortaleza psíquica e imanente de todos nós.
O caráter é a essência do homem e deve ser esculpido com amor desde o primeiro sopro de consciência, sendo que cada cidadão deve ser conduzido por uma educação baseada em uma conduta do bem e precisa ser diariamente estimulado a pensar, a refletir e a valorizar a plenitude da vida. Uma educação guiada de maneira explicitamente filosófica carrega a sociedade com prudência, valor, moderação e discernimento, formando assim uma sociedade justa e feliz onde todos os cidadãos buscam saciar diariamente a inquietude de suas almas, encontrando no conhecimento e na troca de valores a base intelectual e espiritual para rumar à felicidade. Logo, um indivíduo bem formado moralmente e espiritualmente será capaz de lutar com ousadia e perseverança pelo êxito de uma sociedade que pode e deve ser melhor a cada dia, pois o futuro das próximas gerações está sob a responsabilidade de nossa atitude contemplativa diante daquilo que hoje nos permeia. Eis aqui a generosidade da contemplação.
Débora Becker®
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