domingo, 13 de setembro de 2009

A viagem da esperança

Carregado pela fé e pela coragem, Pietro Gasperin deixou a Região do Vêneto, na Itália para buscar no Brasil um cantinho para “lavorar”. Passou meses em um navio a vapor junto de seus compatriotas enfrentando a fome, o frio e a morte. Ao chegar no Brasil renasceu e escolheu como cenário da esperança o Rio Grande do Sul, onde em Nova Vicenza, hoje Farroupilha, construiu uma história fundamentada em valores que perpassam gerações. Desbravou a mata, e no lote de terras cedido pelo governo buscou o sustento de toda a família que estaria por vir, pois foi ali que encontrou sua amada: uma bela e prendada “ragaza” chamada Ana Maria de Bona, companheira desconhecida da viagem além-mar. A união frutificou em 14 filhos, dentre eles meu avô Miguel Archangêlo.
Nono Archangêlo nos contava que Bisa Pietro e Bisa Ana haviam sofrido muito, enfrentaram dificuldades na viagem e no Brasil, mas foi devido a sua força arrebatadora e a fé em Deus que conduziram sua trajetória de vida em valores contundentes que embasam a nossa educação hoje. Em terras brasileiras Bisa Pietro e seus companheiros plantavam milho para fazer a polenta, uva para fazer o vinho, trigo para fazer o pão;colhiam pinhões e nos tempos de crise faziam deles a farinha para alimentar os filhos. Bisa Ana cuidava dos afazeres domésticos e do linho plantado pelo bisa fazia o fio na roca, no tear o tecido e posteriormente confeccionava as roupas da família. Os filhos ajudavam na lida, os homens faziam pipas, móveis, vinho, farinha e as mulheres cestos, chapéus, roupas. O trabalho era árduo e foi em meio às dificuldades e as alegrias que, com muito amor construíram uma história indissolúvel ao tempo.
Bisa Pietro e Bisa Ana são exemplos a seguir, assim como todos os imigrantes que buscaram nesta terra maravilhosa e rica o chão da prosperidade.

Débora Becker

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Será?!

Duvidas são armadilhas filosóficas que o próprio ser faz para o não-ser.

Débora Becker

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Thélos

A verdade é como uma fé, que é motivada na esperança de que uma crença ou sentimento pode ser real.

Débora Becker

a angustia sente...

Angustiar-se é compenetrar-se na profundeza da alma, buscar o recôndito luminoso da imensidão de um ser. A angústia é uma dádiva, e saber angustir-se com maestria o fármaco da plenitude. Se a angústia provoca angústia, ela própria é capaz de findar-se.

Débora Becker

Sobre a verdade: entre os conceitos de Aristóteles e Heidegger.

A Filosofia está para a verdade, e esta é aquilo que algo é de acordo com a sua totalidade, “quanto mais algo é, mais tem de verdadeiro”- ou seja, é a essência de um ser, a sua realidade, que o torna verdadeiro. Para Heidegger a essência da verdade encontra-se na liberdade, e ela é o símbolo daquilo que acontece e que pertence a individualidade do ser. Então, como a verdade está na totalidade se a liberdade como verdade encontra-se na individualidade?! Assim como para Aristóteles, também para Heidegger o verdadeiro se resume naquilo que de fato é. A não verdade se contrapõe a verdade, sendo por isso aquilo que aparenta ser, mas que, no entanto não é real.
A finalidade da Filosofia é a verdade, e a da ciência prática a ação, logo, a filosofia transcende a prática, pois considera aquilo que permanece e é, e não o como, o relativo. A filosofia quer saber a causa enquanto a ciência prática quer desvendar o como. A causa é a verdade daquilo que é real e a filosofia quer conhecer a causa por intermédio da veracidade dos entes. Não existe verdade sem causa, portanto não há infinitude, já que a filosofia parte de uma causa primeira e destina-se a uma causa última e por isso finita. Assim, “a finalidade mais próxima será sempre a mais adequada e veríssima.”
Aristóteles, em seu livro II de Metafísica entoa a obscuridade do diferente, sendo este o incomum, o desconhecido. A verdade é aquilo que nos é comum, entretanto nem sempre aquilo que nos aparenta claro e definido é fácil de ser alcançado. Por isso é necessário distinguir o que é conhecido daquilo que não nos é comum. A busca de uma verdade é motivada pela diferença, pelo desconhecido, entretanto o que é claro e verdadeiro é o que deve ser alcançado. Logo, a substância primeira é obscura, distinta, nada habitual enquanto que a sua finalidade é visível e comum, mas para chegar-se até ela é preciso estar focado na verdade, e a verdade só pode ser aquilo que é, ou então aquilo que não pode ser e por isso não é. A busca da verdade torna-se uma tarefa difícil quando desejamos encontrar a verdade universal, e não uma verdade subjetiva e individual.
Para Heidegger, o conceito verdade é designado por desvelamento, ou o velar como essência do ser, que se desvela na proposição “a essência da verdade é a verdade da essência". Para ele o ser-aí é a essência da verdade, ou melhor, é a verdade daquilo que existe e que, portanto é. O desvelamento é a verdade do ser, assim ao desvelar o ente esconde-se o ser, e o desvelar é um modo de descobrir a entidade do ser, a sua essência. E a filosofia é o desvelar da verdade que habita as profundezas da alma do ser, sendo ela o modo de atingir a plenitude do ente, ou seja, a realização da sua finalidade.

Débora Becker (2008/2)
Referencias:
COLEÇÃO OS PENSADORES. Aristóteles. In:Metafísica. p.239-243. Tradução de Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
COLEÇÃO OS PENSADORES. Heidegger. In:Conferencias e escritos filosóficos. P.207-343. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

domingo, 16 de agosto de 2009

Amorgnetismo

O amor não é o que nos une, mas sim o que não nos permite distanciar.

Débora Becker

Dona FILÓ- SÓ- FIA

Dona Filó é uma vovó
Dona Filó não vive só
Vive com Sofia..
Sofia é diferente, sabe, não é bem como a gente!
Ela é uma gatinha, fofinha e inteligente
Dona Filó fia a linha e faz Filosofia..
O que Filo além da linha fia?
Uma linha de sabedoria.

Débora Becker.

Poeta da alegria...

Vou me soltar
preciso espaço para imaginar
e a criatividade poder impregnar..
Estou a filosofar, deixo a fantasia levitar
e encarnar o poeta existente aqui..

O poeta que quer compreender o mundo
pela arte e escrevê-la muda, na pintura.
Estou a voar na pipa do pensar,
planando sobre cidades vazias,
com favelas e burguesias.

Vejo crianças sozinhas,
sem casa, nem comida,
sem nenhuma saída..

Preciso levar o saber
Soltar pipas e balões,
fazer o amor vagar pelo ar e imensidões..
Eu vou..

Voar alto, e viajar pelo desconhecido
pintando em telas as lágrimas
de um retirante esquecido..

Tocar os bordões dos violões e pular portões..
Analisar as baratas e suas condições..
Enfim,
Descobrir e abrir muitos corações..

Débora Becker (2002)
(Alterações feitas em Agosto/2009)

Vôo do tempo...


O tempo não tem asas para voar, apenas
"instantes"para marcar um pouso...

Débora Becker
Fotografia: por Débora Becker.
Título: Laboriosa abelha

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cantoria na chuva...

Nebuloso o céu ficou, mas no entanto a alegria de uma cantata o animou.. Canarinhos alegres a voar, tomaram cada um o seu lugar e no ipê descabelado puseram-se a cantar..

Débora Becker

Fotografia: por Débora Becker
Título: Entre pingos e nuvens(09/08/09)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Real Beleza


Flores são amores!
Possuem odores e cores,
pois são louvores.
A flor é amor
A flor é beleza
É fruto da natureza
que embeleza a vida
com ar de sua realeza.

Pintura de Débora Becker- Acrílica sobre tela.
Título: Tulipas sorridentes



Débora Becker®

a certeza da dúvida

É e não é , eis o que é?
É, mas não é o que quer.
Procura e não acha.
Acha e procura.
Tem mas não tem.
Sabe e não sabe.
Acha que sabe e no fundo
sabe que sabe o que é.
Não é?!

Débora Becker®

sábado, 10 de janeiro de 2009

Meus Hai kais

Mi-au, Mi-au... Um gachorro mitindo.

Mosquito é uma mosca reencarnada, fofoqueira e com reumatismo.

O amor é o sorriso do coração.

O pássaro que sofre de insônia pratica técnica vocal a luz do luar.

O sapo veste a farda e segue ao campo de guerra... Escondeu-se em uma oca de terra e ali espera o que ainda é mistério...

Será que os mosquitos não se dão conta que vivem a falar dos mesmos assuntos nos momentos mais inconvenientes?!

A borboleta é uma lagartinha que ganhou asas ao virar mocinha.

Gambá é um rato que foi para a cidade grande, ouviu grunge e virou punk.

O vento é um vovozinho maroto. Volta e meia se pendura em uma árvore para tirar as folhas...

Senhor Colibri é um namorador.. Está sempre a beijar a bela Dona Flor!

A neblina é uma fantasma obesa que vem a terra para brincar de Maria fumaça.

A neblina é tão pálida...
Parece tão doentinha.
Coitadinha! Se perdeu em uma nuvem de farinha.

A formiga é um trem em miniatura que carrega mantimentos para toda a sua vila.

A saudade é um baú bem grande que possui retratos de um passado-presente.

A noite é uma dama surpreendente, que ora veste um vestido cintilante, ora um pretinho básico.

A chuva é o cântico das nuvens tristes que perderam seus amores para estrelas boêmias.


Débora Becker ®

O ponteiro da contemplação...

Ao acompanhar a trajetória horária dos ponteiros, que de forma exímia e compassada nos relata a volatilidade de um tempo que não tem olhos para a essência das coisas, é que se percebe o quão eqüidistante está a realidade palpável que nos assombra e solicita constantemente de minutos de pausa. O que há acerca da natureza que nos envolve é uma sociedade massificadora e intolerante aos pequenos detalhes, detalhes esses que fazem de nós, humanos, seres dotados de dons que possibilitam o despertar de uma consciência ávida pelo saber; uma vida suprida por uma leveza concupiscível que transcende a materialidade de nossas tão dispensáveis carcaças e que, torna-nos a cada dia mais dispostos e chamados a refletir e acima de tudo, a contemplar. Digo contemplação como a curiosidade incomensurável da alma, considerando de modo admirável a beleza que envolve cada parte do Universo, uma busca incessante que leva ao conhecer.
A falta da introspecção e do encantamento com a natureza à nossa volta e a carência do desejo de querer a felicidade é o que impele muitos a atropelar o tempo para então poder suprir suas vontades inóspitas. Os valores humanos foram descartados, embalados na hipocrisia de alguns e substituídos por interesses mesquinhos. Eis porque chamo a sabedoria de “ferramenta” transformadora, pois aquele que conhece a verdade é impulsionado ao agir bem e após experimentar o fascínio do saber permanece aprimorando-o, diariamente. Todavia, antes de tomar a sabedoria como princípio para alcançar o bem supremo é preciso inverter valores e buscar no interior de si mesmo a essência da vida; a curiosidade enaltece o espírito e é disso que necessitamos para encontrar a luminosidade que faz de cada um de nós tão importantes para o bem estar do outro. É inevitável desvendar as entranhas da nossa complexa psique para depararmos com a sapiência e assim, conhecendo-nos na verdade seremos fraternos para com os outros, buscando em cada gesto benevolente o estalo de um olhar para a vida. O fazer o bem implica no receber tal bem, e isso é que engrandece a vida dos homens. Não há como estabelecer uma sociedade sábia e justa sem contar com uma educação que preze à vida e aos valores que enriquecem cada cidadão.
A educação inicia-se na contemplação, onde cada um, com o saber inocente de sua criança interior apropria-se da realidade vivida para sonhar, incorporando como parte de si a realidade que observa com admiração e zelo. Esta realidade inteligível é que rege a conduta transformadora do ser guiado pela Filosofia, onde cada “pensador-educador” se insere numa realidade distinta, porém deslumbrante, descobrindo neste mundo contemplativo o lado metafísico de tudo o que o envolve e que representa a fortaleza psíquica e imanente de todos nós.
O caráter é a essência do homem e deve ser esculpido com amor desde o primeiro sopro de consciência, sendo que cada cidadão deve ser conduzido por uma educação baseada em uma conduta do bem e precisa ser diariamente estimulado a pensar, a refletir e a valorizar a plenitude da vida. Uma educação guiada de maneira explicitamente filosófica carrega a sociedade com prudência, valor, moderação e discernimento, formando assim uma sociedade justa e feliz onde todos os cidadãos buscam saciar diariamente a inquietude de suas almas, encontrando no conhecimento e na troca de valores a base intelectual e espiritual para rumar à felicidade. Logo, um indivíduo bem formado moralmente e espiritualmente será capaz de lutar com ousadia e perseverança pelo êxito de uma sociedade que pode e deve ser melhor a cada dia, pois o futuro das próximas gerações está sob a responsabilidade de nossa atitude contemplativa diante daquilo que hoje nos permeia. Eis aqui a generosidade da contemplação.

Débora Becker®