quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre a verdade: entre os conceitos de Aristóteles e Heidegger.

A Filosofia está para a verdade, e esta é aquilo que algo é de acordo com a sua totalidade, “quanto mais algo é, mais tem de verdadeiro”- ou seja, é a essência de um ser, a sua realidade, que o torna verdadeiro. Para Heidegger a essência da verdade encontra-se na liberdade, e ela é o símbolo daquilo que acontece e que pertence a individualidade do ser. Então, como a verdade está na totalidade se a liberdade como verdade encontra-se na individualidade?! Assim como para Aristóteles, também para Heidegger o verdadeiro se resume naquilo que de fato é. A não verdade se contrapõe a verdade, sendo por isso aquilo que aparenta ser, mas que, no entanto não é real.
A finalidade da Filosofia é a verdade, e a da ciência prática a ação, logo, a filosofia transcende a prática, pois considera aquilo que permanece e é, e não o como, o relativo. A filosofia quer saber a causa enquanto a ciência prática quer desvendar o como. A causa é a verdade daquilo que é real e a filosofia quer conhecer a causa por intermédio da veracidade dos entes. Não existe verdade sem causa, portanto não há infinitude, já que a filosofia parte de uma causa primeira e destina-se a uma causa última e por isso finita. Assim, “a finalidade mais próxima será sempre a mais adequada e veríssima.”
Aristóteles, em seu livro II de Metafísica entoa a obscuridade do diferente, sendo este o incomum, o desconhecido. A verdade é aquilo que nos é comum, entretanto nem sempre aquilo que nos aparenta claro e definido é fácil de ser alcançado. Por isso é necessário distinguir o que é conhecido daquilo que não nos é comum. A busca de uma verdade é motivada pela diferença, pelo desconhecido, entretanto o que é claro e verdadeiro é o que deve ser alcançado. Logo, a substância primeira é obscura, distinta, nada habitual enquanto que a sua finalidade é visível e comum, mas para chegar-se até ela é preciso estar focado na verdade, e a verdade só pode ser aquilo que é, ou então aquilo que não pode ser e por isso não é. A busca da verdade torna-se uma tarefa difícil quando desejamos encontrar a verdade universal, e não uma verdade subjetiva e individual.
Para Heidegger, o conceito verdade é designado por desvelamento, ou o velar como essência do ser, que se desvela na proposição “a essência da verdade é a verdade da essência". Para ele o ser-aí é a essência da verdade, ou melhor, é a verdade daquilo que existe e que, portanto é. O desvelamento é a verdade do ser, assim ao desvelar o ente esconde-se o ser, e o desvelar é um modo de descobrir a entidade do ser, a sua essência. E a filosofia é o desvelar da verdade que habita as profundezas da alma do ser, sendo ela o modo de atingir a plenitude do ente, ou seja, a realização da sua finalidade.

Débora Becker (2008/2)
Referencias:
COLEÇÃO OS PENSADORES. Aristóteles. In:Metafísica. p.239-243. Tradução de Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
COLEÇÃO OS PENSADORES. Heidegger. In:Conferencias e escritos filosóficos. P.207-343. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

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