Sou suspeita ao falar do verão, mas como todo o gaúcho que se preze também tenho orgulho do soprar do minuano nos dias de inverno e da geada que branqueia os campos da serra e da campanha: o frio é uma dádiva nossa! Calor, só mesmo na beira do mar, ou então esticado na rede debaixo de uma frondosa árvore nesses dias escaldantes. A praia é o nosso refúgio, e convenhamos, até colocar o “lombinho” no sol parece gostoso, banhar-se nas águas, nem sempre tão cristalinas, além de terapêutico, é uma delícia! Gosto mesmo é da liberdade que o nosso litoral traz - pode-se andar de chinelos e biquíni e se está pronto pra frequentar qualquer lugar. Sem contar que na praia sentimo-nos confortáveis, despreocupados e até celulite vira charme! Os cabelos ganham rebeldia, não há xampu que resolva, mas isso é uma beleza; a naturalidade passeando pela praia, o corpinho ganhando cor de camarão, as barrigas “aspiradas” desfilando pelas areias, castelinhos, crianças posando com o pônei, vovôs e vovós exibindo sua indescritível felicidade: se vê de tudo! O almoço das três horas da tarde, a casa superlotada, o passeio de “dindinho”, a invasão das lagartixas, a dieta da engorda, as caminhadas tão longas que assam as coxas gordas e fazem doer a “sola” do pé... Ah! Esses dias no mar são tão proveitosos e divertidos, até a chuva torna-se um presente - as poças pelas ruas um labirinto, os supermercados uma vitrine da gulodice, os camelôs um passatempo, a feira da colônia o dia de comprar milho e mini-abacaxis. Enfim, é uma maravilha procurar conchinhas e bolachas do mar, pescar, pegar onda, fugir das águas vivas, lutar contra o vento ao colocar o guarda sol e ficar esperando a buzina do sorveteiro soar a quilômetros para poder contar o “din-din” e tomar aquele sorvete...
Tristeza mesmo, só quando chega o último dia, no qual se pensa: já?! Passou tão rápido, nem deu tempo de fazer tudo, aqui é tão bom... Apesar de sentirmos falta das muitas coisas que deixamos para trás, a vontade de ficar é tremenda, ao menos pra mim, que sou praieira mesmo. Mas embora eu seja metade peixe, metade “Maria Farinha” fica o desejo de reencontrar os amigos, retomar os livros, encarar mudanças, cumprir horários, organizar a bagunça, enfim, confrontar-se com o cotidiano. Assim, ao voltar de férias é preciso deixar a “canga” de lado, aproveitar o ano que então inicia e inclusive, permanecer recordando o tempo de praia que findou no desejo de chegar o próximo verão para poder repetir as peripécias de sempre.
Débora Becker- março/2010
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