quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De modo studendi - São Tomas de Aquino

Para São Tomás de Aquino tudo aquilo que pode ser compreendido e assimilado pela razão contribui no desenvolvimento do ser humano, e baseado em Aristóteles, diz ser a experiência sensorial o fator determinante para constituir o conhecimento racional. Logo, tudo aquilo que é experimentado pelos sentidos constitui um saber. Tomás, em De modo studendi refere-se à busca do conhecimento como uma tarefa continua, descompassada e persistente – onde o tempo é o bonus cooperator. É preciso enfrentar o tempo, adquirindo experiências, erros, mistérios para então deparar-se com a sabedoria.
De modo studendi reflete uma pedagogia associada à essência humana, o saber integrado à existência, refletindo sobre como deve ser a vida e de qual modo esta deve ser conduzida para se desfrutar ao máximo a condição reflexiva e inteligível do ser humano. Para ele, a sabedoria não é apenas o conhecimento adquirido a partir do estudo, da dedicação aos livros, mas sim uma experiência constante de saberes. E sapere não apenas como saber, mas como saborear. É preciso saborear, deliciar, provar o saber, e não apenas assimilá-lo, incorporá-lo, instituí-lo. Os saberes provem do saborear, e este saborear é dado pelos sentidos. Tomas de Aquino também destaca a vida contemplativa, dedicada à oração, amabilidade, humildade, devoção como fator primordial para encontrar o conhecimento, pois é a introspecção, o encontro espiritual com a realidade que nos direciona ao saber. Assim, cabe destacar que aquele que se dedica aos estudos, deve primeiramente cuidar de sua alma, refletindo sobre a essência de suas atitudes.
De modo studendi implica no modo de estudar, conhecer e studium em latim, tem uma conotação muito mais ampla do que aquela que conhecemos e incorporamos. Significa a atitude de doar-se à algo por amor, com amor, ou seja, é uma afeição, uma entrega amorosa a algo que toca o coração e que instiga o ser humano a conhecer. Logo, estudar transcende a idéia de ler, refletir, dialogar, sentir, e sim de dedicar-se, doar tempo, investir, investigar, e o objeto de estudo deve ser aquilo que nos move, nos toca, nos passa. O que importa, é o ser enquanto humano e não enquanto máquina. O que vemos hoje são demonstrações e cópias das paixões e não ela, como tal. Forma-se profissionais aptos a lidar com situações difíceis, números, abstrações e muitas vezes se esquece de educar a si próprio, buscando no caráter de cada ser a força motriz do estudo, e sobretudo da arte de apaixona-se. Digo estudo com um sabor intorpecente, que apaixone, motive e que, acima de tudo,direcione o homem para o seu interior, encontrando dentro de si um caminho para trilhar através do conhecimento.

Débora Becker - Outubro/2008

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